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1999 – agosto de 2026

Economia, moeda, custo de vida, segurança, saúde e instituições por mandato

Leitura mandato a mandato, de FHC II a Lula III

Método: Compara o quadro econômico recebido por cada governo com o resultado médio do mandato, evitando atribuir a um presidente resultados que atravessam períodos.

Em uma leitura rápida

  • FHC II termina 2002 com IPCA de 12,53% e forte desvalorização, mas deixa câmbio flutuante, metas de inflação e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
  • Lula I e II têm o melhor crescimento médio do recorte (≈3,52% e ≈4,65% a.a.), em coincidência com o ciclo internacional de commodities e liquidez para emergentes.
  • Dilma recebe a economia após o PIB de 7,5% em 2010; 2015–2016 produz uma das recessões mais profundas da série, com IPCA de 10,67% em 2015.
  • Bolsonaro não pode ser avaliado sem separar 2019 da pandemia: +1,2% em 2019, ≈-3,3% em 2020 e recuperação estatística em 2021–2022.
  • Lula III: PIB de 3,2% (2023), 3,4% (2024) e 2,3% (2025), com desemprego em 5,4% e juros ainda muito altos.

Brasil de 1999 a 2026: economia, moeda, custo de vida, segurança, saúde, corrupção e instituições por mandato presidencial Sumário executivo A leitura conjunta dos dados de 1999 a agosto de 2026 não sustenta uma narrativa simples em que um único presidente seja responsável por toda melhora ou toda deterioração do país. O período atravessa crises cambiais, boom e queda de commodities, crise financeira mundial, recessão doméstica, pandemia, choque global de energia e alimentos, mudança estrutural do pré-sal e alterações profundas no sistema de crédito, tributação e comunicação digital. Os melhores e piores resultados aparecem em governos distintos e, em vários casos, têm causas que atravessam mandatos.

O segundo mandato de FHC começou com a ruptura do regime cambial de 1999 e terminou em 2002 com IPCA de 12,53%, forte desvalorização cambial e incerteza financeira, mas também deixou estruturas que os governos seguintes preservaram: câmbio flutuante, metas de inflação e Lei de Responsabilidade Fiscal. A inflação média de 1999–2002 foi aproximadamente 8,78% a.a. e o crescimento real médio, cerca de 2,35% a.a.

Os dois primeiros governos Lula, 2003–2010, apresentam o melhor crescimento médio do conjunto analisado: aproximadamente 3,52% a.a. no Lula I e 4,65% no Lula II, enquanto a inflação média caiu para aproximadamente 6,43% e 5,14%, respectivamente. O real também se apreciou fortemente entre 2003 e 2010. Esses resultados são reais, mas não podem ser atribuídos exclusivamente à política doméstica: o período coincidiu com expansão internacional de commodities, maior liquidez para emergentes e, posteriormente, com a recuperação rápida do choque financeiro de 2008. Ao mesmo tempo, o primeiro governo Lula foi atingido pela AP 470, o chamado Mensalão, com condenações de dirigentes centrais do PT e aliados; Lula não foi réu na AP 470.

O governo Dilma recebeu a economia depois do crescimento extraordinário de 7,5% em 2010, reservas internacionais muito elevadas e uma moeda relativamente forte. O crescimento perdeu força já no primeiro mandato; o quadriênio 2011–2014 teve média próxima de 2,35%, e 2015–2016 produziu uma das recessões mais profundas da série moderna. A inflação chegou a 10,67% em 2015. Simultaneamente, a Lava Jato revelou um esquema de corrupção e cartelização envolvendo diretores da Petrobras, empreiteiras, operadores financeiros e agentes políticos de diferentes partidos. A Petrobras reconheceu contabilmente R$ 6,194 bilhões relacionados à estimativa de gastos adicionais capitalizados indevidamente decorrentes do esquema — valor que não deve ser confundido com uma medição completa de todo o dinheiro “roubado”.

O período Dilma/Temer, 2015–2018, tem crescimento médio negativo, aproximadamente -0,92% a.a., porque incorpora a recessão de 2015–2016 e a recuperação lenta de 2017–2018. A inflação, porém, caiu fortemente após 2016, chegando a 2,95% em 2017 e 3,75% em 2018. A taxa nacional de homicídios, que chegaria ao pico de cerca de 31,8 por 100 mil em 2017, começou a cair significativamente em seguida.

O governo Bolsonaro, 2019–2022, não pode ser avaliado sem separar 2019 da pandemia. A economia cresceu cerca de 1,2% em 2019, contraiu aproximadamente 3,3% em 2020 e teve forte recuperação estatística em 2021–2022. O IPCA foi 10,06% em 2021 e 5,79% em 2022, em ambiente de ruptura de cadeias produtivas, energia e commodities. O real sofreu nova mudança de patamar, com câmbio médio acima de R$5/US$ em 2020–2022. A taxa de homicídios nacional, contudo, permaneceu muito abaixo do pico de 2017.

No Lula III, o PIB cresceu 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025; no primeiro trimestre de 2026 cresceu 1,1% frente ao trimestre anterior. O desemprego atingiu 5,4% no segundo trimestre de 2026, um nível historicamente baixo na PNAD Contínua. Isso constitui evidência contra uma narrativa de “colapso geral” da atividade ou do emprego. Porém, há sinais claros de pressão sobre a economia doméstica: o endividamento das famílias estava em 49,8% da renda anual em abril de 2026, inadimplência das pessoas físicas em 5,6% em maio, juros médios do crédito livre às famílias em 62,8% a.a., e a inflação em 12 meses chegou a 4,44% em julho de 2026, praticamente encostada no teto de 4,5% da faixa em torno da meta de 3%.

Portanto, não há neste momento evidência de um “surto inflacionário” do tipo observado em economias desancoradas ou de retorno à hiperinflação brasileira, mas existe um risco inflacionário relevante: expectativas permanecem acima da meta, crédito ao consumidor está caro, o Banco Central mantém política monetária fortemente restritiva e riscos externos — especialmente petróleo, frete e conflitos geopolíticos — permanecem importantes. Em agosto de 2026, a Selic estava em 14,00% a.a.; em junho, o Banco Central havia registrado expectativas Focus de 5,30% para 2026 e 4,10% para 2027, embora a inflação efetivamente observada tenha desacelerado depois para 4,44% em 12 meses em julho.

A conclusão mais importante sobre corrupção também exige precisão. Mensalão, Lava Jato, esquemas na Petrobras, condenações de agentes públicos, acordos de leniência e bilhões recuperados são fatos documentados. Mas associação política não pode ser transformada automaticamente em culpabilidade penal. As condenações de Lula oriundas da Justiça Federal de Curitiba foram anuladas pelo STF por incompetência do juízo, e o STF reconheceu a parcialidade de Sergio Moro no caso do tríplex. Isso significa que aquelas condenações não são juridicamente válidas; também não significa que o STF tenha realizado um julgamento de mérito declarando falsos todos os fatos investigados.

Método, comparabilidade e o que cada governo recebeu A comparação usa, sempre que disponível, IBGE, Banco Central, Receita Federal, Ipea, Datasus/ Ministério da Saúde, Ministério da Justiça/Sinesp, STF, MPF, CGU, TCU, Petrobras, ANP, Banco Mundial e OCDE. Reportagens não são usadas como fundamento central. As séries longas de IPCA e câmbio vêm de IBGE/Banco Central via Ipeadata; PIB vem do sistema de Contas Nacionais/IBGE e é confrontado com Banco Mundial; crédito e agregados monetários vêm do Banco Central.

Há quatro problemas metodológicos que impedem comparações políticas simplistas.

Primeiro, desemprego não possui uma única série homogênea de 1999 a 2026. A antiga Pesquisa Mensal de Emprego e a PNAD Contínua usam desenhos diferentes; a PNAD Contínua é a referência moderna a partir da década de 2010. Portanto, juntar os números como se fossem uma mesma pesquisa criaria uma série artificial.

Segundo, a estatística de endividamento das famílias do Banco Central não cobre todo o período desde 1999 com metodologia idêntica. A série moderna é muito mais útil para a comparação de meados dos anos 2000 em diante e, especialmente, após 2011.

Terceiro, M1, M2, M3 e M4 não significam “dinheiro impresso”. M1 concentra meios de pagamento de alta liquidez; M2 adiciona instrumentos como depósitos remunerados e poupança; M3 acrescenta outros ativos financeiros líquidos; M4 amplia ainda mais o agregado. Portanto, dizer que “M4 subiu 20%, logo o governo imprimiu 20% a mais de dinheiro” é uma inferência monetariamente incorreta.

Quarto, a carga tributária mudou de metodologia. O estudo da Receita de 2024 passou a excluir FGTS e Sistema S da CTB principal; nessa metodologia, a carga foi 30,22% do PIB em 2023 e 32,20% em 2024. Se FGTS e Sistema S forem reincorporados, a Receita informa que a carga de 2024 seria 34,12% do PIB. Comparar simplesmente “34,36% em 2001” com “32,20% em 2024” sem corrigir a metodologia produz conclusão errada.

Condição econômica recebida e resultado médio

IPCA IPCA PIB real câmbio

Situação herdada / Período médio acumulado no médio médio R$/ choque dominante

crise cambial, transição FHC II, 1999–

ao câmbio flutuante e 8,78% 39,9% 2,35% 2,23

recebe 2002 com IPCA Lula I, 2003–

12,53% e real 6,43% 28,2% 3,52% 2,65

expansão externa Lula II, 2007–

seguida da crise 5,14% 22,2% 4,65% 1,89

recebe economia após Dilma I,

+7,5% em 2010 e 6,17% 27,0% 2,35% 2,04

2011–2014 moeda valorizada

Dilma/Temer, recessão de 2015–16 e

2015–2018 recuperação lenta

baixo crescimento Bolsonaro,

inicial + pandemia e 6,17% 26,9% 1,43% 4,92

pós-pandemia, Selic Lula III,

alta, mercado de 4,57% 14,3% 2,97% 5,32

2023–2025* trabalho forte

*2026 não entra nas médias anuais porque o ano ainda está em curso. Cálculos próprios sobre séries anuais oficiais. IPCA: IBGE/Ipeadata; câmbio: Banco Central/Ipeadata; PIB: IBGE/Banco Mundial.

A tabela produz um resultado importante para qualquer análise crítica do PT: é factualmente incorreto dizer que os governos Lula de 2003–2010 foram um fracasso macroeconômico completo. O crescimento foi superior ao de FHC II, Dilma, Temer e Bolsonaro no recorte comparável, e a inflação média caiu. Por outro lado, também é incorreto transformar isso em prova de que todo o desempenho foi causado pessoalmente por Lula: ele recebeu um arcabouço de estabilização macroeconômica já implantado e governou por boa parte do período sob condições internacionais favoráveis.

O ponto mais crítico ao PT aparece na mudança de trajetória entre Lula II e Dilma. O crescimento médio cai de aproximadamente 4,65% para 2,35% já em 2011–2014 e depois entra em recessão profunda. Isso mostra que o modelo de expansão anterior não manteve o mesmo desempenho quando as condições domésticas e internacionais mudaram.

Fotografia mais recente disponível em 2026

Último dado Indicador Valor Fonte utilizado

IPCA 12 meses jul/2026 4,44% IBGE

IPCA no ano jan–jul/2026 3,44% IBGE

Banco Central Selic ago/2026 14,00% a.a.

+1,1% t/t; +1,8% PIB 1º tri/2026 IBGE 20 a/a

Desemprego 2º tri/2026 5,4% IBGE

Banco Central Reservas internacionais jun/2026 US$ 367,6 bi

49,8% da renda Banco Central

Endividamento familiar abr/2026

Banco Central Comprometimento da renda abr/2026 28,2%

Banco Central Inadimplência PF mai/2026 5,6%

Banco Central Juros do crédito livre PF mai/2026 62,8% a.a.

Banco Central M1 mai/2026 R$ 656 bi

Banco Central M2 mai/2026 R$ 7,6 tri

Banco Central M3 mai/2026 R$ 13,8 tri

Banco Central M4 mai/2026 R$ 15,5 tri

Último dado Indicador Valor Fonte utilizado

Pré-sal na produção nacional de

Fontes primárias: IBGE — PNAD Contínua, Banco Central — estatísticas monetárias e de crédito, Banco Central — setor externo e ANP — Anuário 2026.

Linha do tempo dos mandatos, choques e fontes extraordinárias de renda

Brasil — mandatos, crises e eventos econômicos, 1999–2026

19992001200220032005200620072008201020112013201420152016201720192020202120222023202420252026
FHC IIcrise deforte estresseinício Lula Icrise política dodescobertainício Lula IIcrise financeiraPIB +7,5%início Dilmaprotestos nacionaisCopa do Mundorecessãoimpeachment depico recente dainício BolsonaropandemiaIPCA 10,06%guerrainício Lula IIIPIB +3,4%PIB +2,3%desemprego 5,4%
energia/racionamentocambialMensalãocomercial domundialDilmataxa nacional deRússia-Ucrâniano 2º trimestre
pré-salhomicídios
câmbio passa amarco do regimeinício da Lava JatoIPCA 10,67%forte contraçãochoque global denovo arcabouçonova elevação danovas mudanças na
flutuarIPCA 12,53%de partilha doTemer assumeeconômicacadeias echoque defiscalcarga tributáriatributação da rendaSelic 14%
pré-salcommoditiesenergia/alimentosmedida pela

Receita

consolidação doJogos Olímpicos Rioreforma tributáriaIPCA 4,44% em 12
regime de metas deconstitucionalmeses em julho

recessão pré-sal = 82% da

produção de óleo+gás em junho

A descoberta comercial do pré-sal ocorreu em 2006, durante Lula I. O resultado econômico, entretanto, atravessa cinco governos posteriores. Em junho de 2026, o pré-sal já respondia por 82% da produção nacional total de petróleo e gás, mostrando como um ativo descoberto em um mandato pode produzir renda e exportações décadas depois. Em 2025, a ANP informou que uma venda de 74,5 milhões de barris pertencentes à União tinha potencial de gerar cerca de R$28 bilhões aos cofres públicos ao longo de dois anos. Isso é muito diferente de dizer que o presidente do momento “criou” sozinho essa receita.

A Petrobras também se tornou um canal cada vez mais relevante de exportações e geração de caixa com o pré-sal. Em 2023, por exemplo, a companhia informou produção própria de 2,17 milhões de barris de óleo equivalente/dia no pré-sal, correspondendo a 78% da produção total da empresa.

Do lado externo, o Brasil chegou a 2012 com aproximadamente US$378 bilhões em reservas internacionais; em junho de 2026 havia US$367,6 bilhões. A existência desse colchão diferencia radicalmente o Brasil contemporâneo das vulnerabilidades cambiais do final da década de 1990, embora não impeça desvalorização do real.

Também é importante não tratar Copa do Mundo e Olimpíadas como “dinheiro que entrou no país”. Eles geram turismo, construção e atividade, mas também consomem investimento público, financiamento e renúncias fiscais. O TCU acompanhou uma matriz de investimentos da Copa que, em estimativas da época, girava em torno de dezenas de bilhões de reais. Sem um contrafactual — quanto teria sido investido e arrecadado sem o evento — não é metodologicamente possível afirmar que o valor movimentado constitui “lucro líquido do Brasil”.

Em comércio exterior, a mudança de escala é enorme. Em 2000, as exportações brasileiras estavam em torno de US$58,2 bilhões no ano; em junho de 2026, apenas um único mês registrou US$36,4 bilhões em exportações de bens, recorde mensal informado pelo Banco Central. Parte desse salto decorre de inflação internacional em dólares, integração comercial, agropecuária, mineração e petróleo — não apenas de política presidencial.

Moeda, inflação, poder de compra, custo de vida e endividamento A perda nominal do real frente ao dólar ao longo do período é inequívoca. A cotação comercial média passou de aproximadamente R$1,81/US$ em 1999 para R$5,59/US$ em 2025. Isso representa aumento de aproximadamente 208% no preço do dólar ou, visto inversamente, redução de aproximadamente 67,5% do valor externo de um real medido em dólares. Mas essa trajetória não foi linear: o câmbio médio passou de R$3,08 em 2003 para R$1,76 em 2010, forte valorização durante Lula I e II; depois voltou a se depreciar intensamente.

Câmbio comercial médio de 1999 a 2025

Esse gráfico derruba duas simplificações opostas. Não é correto dizer que “o real só se desvalorizou sob o PT”: houve forte valorização durante Lula I e II. Também não é correto dizer que a moeda permaneceu estruturalmente forte devido aos governos Lula: a deterioração cambial durante Dilma foi expressiva e o real voltou a perder muito valor a partir de 2019–2020.

Inflação acumulada e percepção cotidiana

O IPCA mostra por que um consumidor pode sentir que “tudo ficou cinco vezes mais caro” mesmo quando a inflação anual atual está em 4% ou 5%. Os aumentos de preços se acumulam, não são apagados quando a inflação cai.

Entre dezembro de 1999 e dezembro de 2025, o nível geral de preços medido pelo IPCA aumentou aproximadamente 366%. Isso significa, aproximadamente, que algo que acompanhasse exatamente o índice e custasse R$100 ao fim de 1999 custaria cerca de R$466 ao fim de 2025. Essa conta não implica que cada alimento, aluguel ou combustível subiu exatamente 366%: preços relativos variaram muito.

IPCA anual de 1999 a 2025

Os dois maiores episódios da série recente são claramente visíveis: 12,53% em 2002, 10,67% em 2015 e 10,06% em 2021. Assim, grandes picos inflacionários ocorreram sob FHC, Dilma e Bolsonaro. O Lula III, até aqui, não produziu uma inflação anual comparável a esses picos; porém, a inflação permanece resistente em relação à meta de 3%.

Cesta básica e o problema de uma “média nacional”

Não existe um único preço oficial de “cesta básica do Brasil” comparável de 1999 a 2026. O DIEESE calcula cestas por capital, e a cobertura geográfica se ampliou. Criar uma média nacional simples misturando capitais que entram em anos diferentes geraria uma série estatisticamente enganosa. A base oficial do DIEESE deve ser consultada cidade por cidade.

Um indicador de custo de vida mais comparável fornecido pelo DIEESE é o salário mínimo necessário, que estima a remuneração requerida para uma família atender alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência conforme o critério da instituição. Ele não é “o salário que deveria ser decretado pelo governo”; é um indicador de custo familiar.

Datasalário mínimo nominal“salário necessário” DIEESEnominal/necessário
dez/1999R$136R$940,5814,5%
dez/2002R$200R$1.378,1914,5%
dez/2003R$240R$1.420,6116,9%
dez/2006R$350R$1.564,5222,4%
dez/2010R$510R$2.227,5322,9%
dez/2018R$954R$3.960,5724,1%
dez/2019R$998R$4.342,5723,0%
dez/2020R$1.045R$5.304,9019,7%
dez/2021R$1.100R$5.800,9819,0%
dez/2022R$1.212R$6.647,6318,2%
dez/2023R$1.320R$6.439,6220,5%
dez/2024R$1.412R$7.067,6820,0%
dez/2025R$1.518R$7.106,8321,4%
jul/2026R$1.621R$7.687,0121,1%

Cálculos sobre a série nominal e necessária do DIEESE.

Essa série traz uma conclusão frequentemente perdida no debate político: o salário mínimo teve ganho real enorme desde 1999, inclusive durante os governos Lula, mas isso não significa que o custo de uma família média tenha se tornado baixo. O salário nominal de R$1.621 em julho de 2026 correspondia a apenas cerca de 21% do salário familiar “necessário” calculado pelo DIEESE.

Deflacionando o salário mínimo de dezembro pelo IPCA e fixando 1999=100, o índice calculado aqui chega a aproximadamente 239 em 2025, indicando que o poder de compra real do piso mais que dobrou no período. Houve forte avanço nos anos 2000, estagnação/recuo em partes da década seguinte e nova recuperação recente.

Índice do salário mínimo real

Isso é diferente de afirmar que o salário médio real de todos os trabalhadores aumentou na mesma proporção. Para isso seria necessário juntar pesquisas domiciliares cuja metodologia mudou no período; a PNAD Contínua deve ser tratada separadamente da antiga PME. Em 2026, a evidência disponível é de mercado de trabalho muito apertado: desemprego de 5,4% no segundo trimestre e massa de rendimento real habitual de aproximadamente R$380,3 bilhões no trimestre encerrado em junho.

Crédito: consumo financiado versus fragilidade financeira

A expansão do consumo brasileiro desde os anos 2000 não veio apenas de renda. O crédito bancário, consignado, imobiliário, cartão e financiamento ganharam enorme importância. Esse processo

aumenta capacidade de consumo presente, mas cria uma segunda conta: juros e comprometimento de renda futuros.

Em maio de 2026, o estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$7,3 trilhões, dos quais R$4,6 trilhões estavam associados às famílias. O crédito às famílias crescia 11,2% em 12 meses; o crédito livre PF, 11,7%.

A fragilidade aparece nos preços desse crédito: taxa média de 62,8% a.a. nas novas concessões de crédito livre às pessoas físicas, inadimplência PF de 5,6% e inadimplência de 7,6% no crédito livre às famílias em maio de 2026.

O Banco Central estima que o endividamento das famílias subiu cerca de 8 pontos percentuais entre fevereiro de 2020 e o início de 2026, sendo aproximadamente 6 pontos fora do crédito imobiliário. Em abril de 2026, estava em 49,8% da renda anual e o comprometimento da renda em 28,2%.

Isso ajuda a explicar a divergência entre duas percepções verdadeiras ao mesmo tempo: emprego e renda agregada podem melhorar enquanto parte das famílias se sente financeiramente sufocada, porque juros, dívida, alimentação e moradia afetam o orçamento disponível depois da renda recebida.

M1, M2, M3 e M4

Em maio de 2026, o Banco Central registrou aproximadamente R$656 bilhões em M1, R$7,6 trilhões em M2, R$13,8 trilhões em M3 e R$15,5 trilhões em M4.

Agregados monetários em maio de 2026

O salto entre M1 e M4 demonstra precisamente por que M4 não deve ser interpretado como “notas impressas”. Grande parte são aplicações financeiras, títulos e instrumentos remunerados. O próprio M4 avançou 11,7% em 12 meses até maio de 2026, mas a base monetária caiu 5,4% em 12 meses no mesmo mês. Esses movimentos simultâneos seriam impossíveis de explicar pela narrativa simplista “o governo imprimiu dinheiro e por isso M4 aumentou”.

Risco de inflação e desvalorização em 2026

O quadro de agosto de 2026 é de risco inflacionário relevante, mas não de descontrole monetário iminente.

Os fatores de pressão são claros: inflação próxima ao teto da banda, expectativas acima da meta, mercado de trabalho forte, crescimento do crédito nominal e possibilidade de choque em petróleo, frete e commodities. O próprio Banco Central advertiu em seu relatório de junho para maior volatilidade de commodities e efeitos dos conflitos no Oriente Médio.

Os freios também são fortes: Selic de 14%, política monetária contracionista, reservas internacionais de US$367,6 bilhões, inflação corrente em 12 meses abaixo de 4,5% em julho e sistema financeiro capaz de absorver movimentos cambiais sem regime de câmbio fixo.

Portanto, um cenário de depreciação adicional do real é plausível se houver deterioração fiscal, choque externo ou fuga para o dólar; mas uma previsão de “explosão inevitável do dólar e hiperinflação” não está sustentada pelos indicadores atualmente observados. O inverso também seria

exagerado: juros de 14% e expectativas acima da meta indicam que o Banco Central não considera a inflação definitivamente resolvida.

A base completa usada nos três gráficos macroeconômicos pode ser baixada aqui: CSV — séries macro Brasil 1999–2025.

Saúde, mortalidade, segurança e capacidade estatal A mortalidade infantil é uma das séries que melhor mostra por que a análise política deve ser feita em décadas, não em slogans eleitorais.

Anomortalidade infantil por mil nascidos vivosgoverno/período
200029,02FHC
200226,04FHC
200324,68Lula I
200621,04Lula I
201017,22Lula II
201116,43Dilma
201414,40Dilma
201513,82Dilma
202312,5Lula III

Há uma melhora quase contínua atravessando FHC, Lula e Dilma. Portanto, seria incorreto afirmar que o PT “destruiu” a saúde brasileira com base nesse indicador. Também seria incorreto atribuir toda a queda a um presidente: mortalidade infantil é afetada por atenção primária, vacinação, saneamento, renda, educação materna, demografia, assistência pré-natal e políticas estaduais/municipais.

A pandemia produziu ruptura importante em mortalidade e expectativa de vida. Em 2023, o IBGE calculou expectativa de vida de 76,4 anos, novamente acima do nível pré-pandemia, e mortalidade infantil de 12,5 por mil.

Em gasto público, outro cuidado é necessário. Estudos do Ipea estimaram que a despesa federal com ações e serviços públicos de saúde permaneceu, grosso modo, na faixa de 1,6%–1,7% do PIB entre 2002 e 2015 — aproximadamente 1,66% em 2002 e 1,69% em 2015. Portanto, o grande avanço da mortalidade infantil ocorreu sem uma multiplicação equivalente da participação federal da saúde no PIB, reforçando que resultados dependem também de composição e eficiência, estados, municípios e determinantes sociais.

Isso não significa que o SUS esteja livre de escassez. O Portal da Transparência documenta gastos federais, mas “fila nacional do SUS” não é uma série única e homogênea de 1999 a 2026: procedimentos são geridos por diferentes redes e entes federativos. Afirmar um número nacional contínuo de “pessoas na fila” para todos esses anos seria fabricar uma estatística inexistente.

Segurança pública

A violência também não acompanha perfeitamente o ciclo presidencial, até porque policiamento ostensivo, polícia civil e grande parte da execução penal pertencem aos estados.

A série consolidada do Atlas da Violência registra aproximadamente:

Anohomicídios por 100 mil habitantes
201228,9
201328,8
201430,1
201529,1
201630,6
201731,8
201827,9
201921,7
202023,6
202122,5
202221,7

O pico ocorre em 2017, no governo Temer, mas isso não prova que Temer “causou” o pico. A queda extremamente rápida começa ainda em 2018 e continua durante Bolsonaro. A pandemia produz oscilação em 2020. A evolução envolve dinâmica de facções, acordos e conflitos entre grupos criminosos, políticas estaduais, demografia, armas, encarceramento e mudanças locais.

Em 2023, o Ministério da Justiça registrou 40.464 Crimes Violentos Letais Intencionais, ante 42.190 no período anterior, queda de aproximadamente 4,1%. O Mapa da Segurança Pública 2026 continua consolidando indicadores nacionais de 2024 e 2025, mas ressalva que os dados administrativos são sujeitos a revisões pelos estados.

Roubos, furtos e crime organizado exigem ainda mais cautela no recorte de 1999: o Sinesp informa que a coleta nacional agregada de ocorrências estaduais se estrutura a partir de 2004, portanto não existe uma série perfeitamente harmonizada desde 1999 para todos esses crimes.

A conclusão comparativa é importante: os dados não permitem sustentar que a segurança tenha piorado continuamente desde a chegada do PT em 2003. A violência letal permaneceu muito elevada, atingiu máximo posterior e depois caiu significativamente. A responsabilidade federal existe em fronteiras, PF, PRF, inteligência, armas e sistema penitenciário federal, mas atribuir a taxa nacional diretamente ao presidente é causalmente fraco.

Corrupção, vínculos documentados, resultados judiciais e custo social Uma “árvore genealógica da corrupção” só é útil se as linhas significarem relações documentadas, e não culpa por proximidade. Nesta seção, uma ligação pode significar nomeação, cargo, relação partidária, contrato, denúncia ou condenação — e o status aparece explicitamente.

Presidências e coalizões 1999–2026

FHC II Lula I Lula II Dilma Temer Bolsonaro

Banestado / contas CC5Geddel Vieira Lima
Dirigentes do PT e aliadosLulaPetrobrascaso das joias
investigação financeiraex-ministro
MPFR$ 51 milhões
Diretores e executivosLava Jato e processos
97 condenadosAP 470 / Mensalãoencontrados emPF indiciou em 2024
investigados/condenadoscorrelatos
US$ 28 bi em remessasapartamento

Indiciamento não é Não significa US$ 28 bi

acordos, multas,condenação
roubados do TesouroEmpreiteiras eCondenações de CuritibaMoro considerado parcialcondenação por lavagem
José DirceuDelúbio SoaresJosé GenoínoCondenações pelo STFOperadores financeirosdevoluções estatus processual
nem participação pessoalfornecedoresanuladas pelo STFno caso do tríplexde dinheiro
recuperações bilionáriasposterior deve ser

Odebrecht OAS e outras empresas

Banestado: tamanho financeiro não é sinônimo de corrupção presidencial

O Ministério Público Federal registra que a investigação do Banestado apurou cerca de US$28 bilhões em remessas fraudulentas por contas CC5, denunciou 684 pessoas entre 2003 e 2007 e obteve 97 condenações. Porém, esses US$28 bilhões são volume de remessas investigadas, não “US$28 bilhões roubados por FHC”, e a investigação não constitui prova de participação pessoal do presidente.

Essa distinção é fundamental porque números de corrupção são frequentemente inflados pela soma de contratos, movimentações financeiras, prejuízo estimado, propina, multas e valores recuperados como se fossem a mesma grandeza.

Mensalão e Lula I

A AP 470 resultou em condenações pelo STF de dirigentes centrais do PT, operadores, empresários, parlamentares e aliados. Entre os nomes politicamente mais relevantes estavam José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno, com diferentes condenações e posteriores alterações em recursos.

Politicamente, é razoável considerar o caso um grave fracasso de governança ocorrido no governo Lula e envolvendo o núcleo partidário de sustentação de seu governo. Juridicamente, porém, é incorreto escrever “Lula foi condenado no Mensalão”: ele não foi réu na AP 470. Culpa política, responsabilidade administrativa e culpa penal são categorias distintas.

Petrobras e Lava Jato

A Petrobras reconheceu em seus resultados de 2014 uma baixa de R$6,194 bilhões relacionada à estimativa dos efeitos de pagamentos indevidos embutidos em ativos. Esse número se tornou um dos valores mais citados no debate sobre corrupção. Ele é real como tratamento contábil da Petrobras, mas não deve ser interpretado como “R$6,194 bilhões fisicamente encontrados em contas dos políticos”.

O MPF declarou, em 2016, que as propinas relacionadas a funcionários da Petrobras já apuradas pela Lava Jato chegavam a aproximadamente R$6,2 bilhões. Também havia centenas de acusados, acordos de colaboração e valores recuperados.

Até 2020, o MPF informava que aproximadamente R$4,3 bilhões já haviam sido destinados a partir dos resultados da Lava Jato, incluindo cerca de R$3 bilhões para a Petrobras, R$416,5 milhões à União e outros valores. Em 2022, o portal do MPF registrava que os valores decorrentes de acordos celebrados pela operação no Paraná superavam R$14 bilhões. Esses números não devem ser adicionados uns aos outros porque incluem categorias e momentos diferentes.

No acordo de leniência da Odebrecht firmado com CGU e AGU, foi estabelecido pagamento de aproximadamente R$2,727 bilhões, reunindo restituição de ganhos, danos e multas. Novamente, valor de acordo não é automaticamente igual ao valor histórico total desviado.

Portanto, é plenamente documentado afirmar que houve um esquema de corrupção de grande escala envolvendo a Petrobras, fornecedores, agentes políticos e operadores durante anos que coincidem majoritariamente com governos do PT. O salto lógico indevido seria concluir, sem decisão judicial específica, que cada integrante do governo ou o presidente necessariamente participou de cada ato.

Lula e a anulação das condenações

Em março de 2021, o ministro Edson Fachin declarou a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para os processos de Lula então examinados e anulou suas decisões; em abril, o plenário do STF confirmou a anulação.

Em procedimento separado, o STF reconheceu a parcialidade de Sergio Moro no processo do tríplex. Consequentemente, não é correto apresentar Lula em 2026 como condenado criminalmente com base naquelas sentenças anuladas.

Também seria impreciso dizer que “o STF provou que Lula era inocente de todos os fatos da Lava Jato”. A decisão de incompetência trata de jurisdição, e a parcialidade trata das garantias do processo. A anulação remove a validade jurídica das condenações; não equivale a uma sentença de mérito reexaminando e refutando individualmente cada prova histórica.

Essa distinção é especialmente importante em uma pesquisa destinada a “refutar narrativas”: uma crítica forte não precisa falsear o status jurídico.

Temer e Geddel

Durante o governo Temer, Geddel Vieira Lima, que havia sido ministro da Secretaria de Governo, tornou-se personagem do caso dos R$51 milhões encontrados em um apartamento em Salvador. O STF manteve elementos centrais de sua condenação por lavagem, embora tenha posteriormente retirado a condenação específica por associação criminosa. O caso documenta corrupção/lavagem envolvendo pessoa muito próxima do núcleo político daquele governo; não prova que os R$51 milhões pertencessem a Michel Temer.

Bolsonaro e o padrão jurídico que deve ser aplicado a todos

No caso das joias recebidas de autoridades estrangeiras, a Polícia Federal indiciou Bolsonaro e outros investigados em 2024 por suspeitas de peculato, lavagem e associação criminosa. Indiciamento policial não é condenação. Fontes secundárias atualizadas em 2026 indicaram pedido de arquivamento pela PGR; como a busca desta pesquisa não localizou a decisão primária da PGR em fonte oficial, esse episódio não é contabilizado aqui como “corrupção comprovada” nem como perda financeira definitiva.

O mesmo padrão probatório deve valer para Lula, FHC, Dilma, Temer e Bolsonaro: investigação ≠ denúncia; denúncia ≠ condenação; condenação anulada ≠ condenação vigente; vínculo partidário ≠ participação penal.

Quanto esses valores representariam socialmente

É tentador escrever frases como “R$6 bilhões construiriam X hospitais”. O problema é que um hospital pode custar dezenas de milhões ou mais de um bilhão dependendo de porte, terreno, equipamentos e complexidade. Sem projeto padrão, ano-base e fonte de custo, o número é propaganda, não análise.

O próprio material das “10 Medidas contra a Corrupção” do MPF reproduziu uma ilustração histórica, não uma auditoria de obras, segundo a qual R$85 bilhões equivaleriam aproximadamente a 17 milhões de sessões de quimioterapia, 34 milhões de diárias de UTI ou 1,5 milhão de moradias. Isso implica custos de referência de aproximadamente R$5 mil por sessão, R$2,5 mil por diária e R$56,7 mil por moradia naquele exemplo histórico.

Aplicando apenas como exercício de escala o antigo parâmetro de R$56,7 mil por moradia à baixa contábil de R$6,194 bilhões da Petrobras, teríamos cerca de 109 mil unidades. Mas essa equivalência não é um orçamento de 2026, não corrige inflação da construção e não prova que os R$6,194 bilhões poderiam literalmente ter sido transferidos para habitação.

O que se pode afirmar com segurança é mais forte: bilhões de reais em propinas, sobrepreços, multas e recursos recuperados representam custo de oportunidade relevante para um país com carências em saneamento, saúde e infraestrutura. O que não se pode fazer é converter todo valor citado em “hospitais roubados” sem controlar sobreposição e custo unitário.

Tributos, regulação das mídias, promessas versus resultados e balanço final A carga tributária precisa ser lida com extremo cuidado porque a própria Receita mudou sua apresentação metodológica.

Em 1999, a Receita calculava carga tributária bruta em aproximadamente 30,32% do PIB; em 2001, usando a metodologia da época, chegou a 34,36%.

No estudo mais recente, a Receita recalculou 2023 em 30,22% do PIB e 2024 em 32,20%, excluindo FGTS e Sistema S. Ao reincorporá-los, a própria Receita informa que o resultado de 2024 seria 34,12%.

Isso é decisivo: uma postagem dizendo “Lula tem carga de 32,2%, menor que FHC com 34,36%” pode estar comparando metodologias diferentes; outra dizendo “a carga nunca foi tão alta porque 2024 deu 34,12%” pode escolher outra definição. Os números precisam carregar a metodologia junto.

A Receita também mostra que, mesmo quando a carga total brasileira se aproxima da OCDE, a composição é diferente: em 2023, tributos sobre bens e serviços equivaliam a cerca de 13,0% do PIB no Brasil contra 10,5% na média da OCDE, enquanto tributação de renda e lucros tinha peso relativamente menor. Isso ajuda a explicar por que a tributação pode ser percebida como pesada por famílias de menor renda: o consumo é uma base tributária particularmente importante no Brasil.

Entre 2023 e 2024, a CTB medida pela nova metodologia aumentou 1,98 ponto percentual do PIB. A Receita atribui aproximadamente 0,96 p.p. do aumento combinado ao PIS/Pasep, Cofins e ICMS. Como ICMS é estadual, seria incorreto atribuir todo o aumento diretamente ao governo Lula federal.

A reforma tributária aprovada no Lula III prevê transição para CBS, IBS e Imposto Seletivo, substituindo gradualmente tributos sobre o consumo. O fato de ter sido aprovada no governo Lula não significa que seja exclusivamente projeto do Executivo: trata-se de reforma constitucional construída e aprovada pelo Congresso, após décadas de propostas.

Em 2026 também passou a valer mudança na tributação de lucros e dividendos decorrente da Lei 15.270/2025, mostrando que o terceiro governo Lula está promovendo alteração relevante da composição da tributação sobre renda.

Regulação da mídia e liberdade de expressão

A narrativa “Lula criou censura à imprensa” não é sustentada pela legislação aprovada entre 2003 e 2010. Houve, contudo, tentativas reais de ampliar a regulação institucional da comunicação, e elas podem ser criticadas politicamente.

Em 2004, o governo Lula encaminhou proposta de criação de um Conselho Federal de Jornalismo, defendido por integrantes da base como mecanismo de fiscalização/regulamentação profissional e criticado pela oposição como risco de controle estatal. A proposta não se tornou lei.

No mesmo período houve o anteprojeto da Ancinav, que buscava ampliar a regulação do setor audiovisual. Também não se converteu no modelo originalmente proposto. Portanto, há base factual para dizer que o governo Lula tentou ampliar a regulação do setor de comunicação; não há base para dizer que ele implantou naquele período um regime legal de censura prévia à imprensa.

Durante Dilma, o Marco Civil da Internet, Lei 12.965/2014, estabeleceu direitos, garantias, deveres, privacidade e neutralidade de rede. Seu texto expressamente organiza direitos no ambiente digital e não pode ser reduzido simplesmente a uma “lei de censura”.

No governo Bolsonaro ocorreu movimento quase inverso: a MP 1.068/2021 restringia as hipóteses em que plataformas poderiam remover conteúdos e perfis. O presidente do Senado devolveu a medida, afirmando que havia incompatibilidades constitucionais e insegurança jurídica; com a devolução, ela deixou de valer.

O PL 2630/2020, frequentemente chamado de “PL das Fake News”, não nasceu como projeto do governo Lula III; sua tramitação é do Congresso e antecede o terceiro mandato. Atribuí-lo simplesmente a Lula é historicamente incorreto.

Em 2025, a mudança mais importante na responsabilidade das plataformas veio do STF, que considerou parcialmente inconstitucional o regime do artigo 19 do Marco Civil e estabeleceu novos parâmetros de responsabilidade civil. Portanto, quem quiser avaliar concentração de poder sobre expressão digital deve separar claramente três atores: Executivo, Congresso e Judiciário.

Promessas, narrativas e resultados verificáveis

O melhor modo de confrontar discurso político não é trocar propaganda governista por propaganda oposicionista. É perguntar qual afirmação resiste à série histórica.

Narrativa O que os dados mostram Veredito

2003–2010 teve crescimento médio “A economia foi

superior aos demais períodos Contradita pelos dados

comparados; Lula III cresceu 3,2%, 78

governos Lula” 3,4% e 2,3% em 2023–25

“Todo o crescimento Houve forte desempenho, mas Causalidade não Lula foi mérito exclusivo arcabouço macroeconômico herdado e demonstrada 79 da política do PT” ambiente externo também importaram

“O real sempre foi fraco câmbio médio caiu de R$3,08/US$ em

Falso para Lula I e II 31

durante Lula” 2003 para R$1,76 em 2010

“O PT manteve o crescimento caiu fortemente e 2015–16 sucesso econômico de teve recessão severa; IPCA 10,67% em Contradito

Lula durante Dilma” 2015

“A inflação de Bolsonaro 2020–22 inclui pandemia e choques Causalidade exclusiva não foi puramente resultado globais; porém isso não elimina fatores demonstrada 32 do governo” domésticos

IPCA 12m = 4,44% em julho; Selic 14% Falso 80

4,44% está quase no teto de 4,5%; “A inflação já está

expectativas do RPM permaneciam Também falso 81

totalmente resolvida” acima da meta

M4 inclui amplo conjunto de ativos; “M4 é dinheiro

base monetária caiu enquanto M4 Tecnicamente falso 23

impresso pelo governo” cresceu

Lula não foi réu na AP 470 Falso 55

Mensalão”

“Nunca houve grande AP470, Petrobras, Lava Jato, leniências corrupção nos governos e bilhões recuperados estão Falso

do PT” documentalmente estabelecidos

Narrativa O que os dados mostram Veredito

“As condenações da Lava Jato contra Lula STF anulou as condenações de Curitiba Falso juridicamente

“A anulação provou anulação decorreu de incompetência judicialmente que todo

do juízo; parcialidade de Moro foi Exagero jurídico 83

fato investigado era decidida separadamente falso”

“A violência só homicídios atingiram pico em 2017 e aumentou depois de Falso 49 caíram fortemente depois 2003”

mortalidade infantil caiu de 26,04/1.000 “Indicadores de saúde

em 2002 para 17,22 em 2010 e 14,40 Falso 84

só pioraram sob o PT” em 2014

“O brasileiro não Falso para o piso salarial; salário mínimo real mais que dobrou ganhou poder de não necessariamente para no cálculo deflacionado pelo IPCA compra desde 1999” toda família

dívida familiar 49,8%, “O custo de vida está comprometimento 28,2%, juros PF confortável porque o Não sustentado 85 62,8% e salário mínimo ≈21% do emprego está alto” salário familiar necessário do DIEESE

“Regulação das mídias é houve propostas concretas de CFJ/

invenção da oposição” Ancinav e defesa política de regulação

propostas históricas não se “Lula já implantou converteram em tal regime; mudanças censura legal à Não sustentado 87 mais recentes de plataformas incluem imprensa” Congresso e STF

O balanço crítico dos governos Lula é, portanto, mais incômodo — e mais defensável — do que uma acusação genérica. Lula I e II combinam resultados macroeconômicos fortes, valorização real do salário mínimo, redução da mortalidade infantil e melhora externa com um grave contraste institucional: justamente durante esses governos emergiram esquemas como Mensalão e, posteriormente, parte substancial do esquema da Petrobras revelado pela Lava Jato.

O ponto crítico não precisa ser “Lula pessoalmente roubou X bilhões”, porque os dados e decisões judiciais disponíveis não permitem essa frase. Uma crítica documentalmente muito mais sólida é: Lula presidiu governos nos quais pessoas extremamente próximas do núcleo partidário e administrativo foram condenadas por corrupção; o sistema de nomeações e coalizões colocou agentes posteriormente condenados em posições de enorme poder; e um esquema bilionário floresceu em uma grande estatal durante anos de predominância política do PT, ainda que a responsabilidade penal individual de Lula não possa ser inferida automaticamente dessas relações.

Da mesma forma, uma avaliação séria precisa admitir os resultados positivos: Lula não recebeu um país economicamente próspero em 2003, pois 2002 terminou com inflação de 12,53% e forte estresse cambial; ainda assim, recebeu instituições macroeconômicas de estabilização criadas antes dele e

preservou boa parte delas. O desempenho favorável de 2003–2010 é resultado da combinação dessas estruturas, decisões domésticas, expansão do crédito, política social e contexto mundial — e não de uma única causa.

No Lula III, os dados até agosto de 2026 também produzem uma fotografia dupla. Não há recessão, desemprego elevado ou hiperinflação: PIB cresceu nos três primeiros anos disponíveis, desemprego está em 5,4% e o país possui US$367,6 bilhões em reservas. Ao mesmo tempo, a moeda permanece historicamente depreciada, a inflação está desconfortavelmente próxima do teto da banda, a Selic é 14%, o crédito às famílias é extremamente caro, a inadimplência aumentou e o endividamento está próximo de 50% da renda anual familiar. São esses últimos indicadores — e não alegações juridicamente falsas — que constituem a crítica econômica mais robusta ao quadro atual.

Por fim, a grande transformação estrutural de 1999–2026 é que o Brasil de hoje é simultaneamente mais rico nominalmente, mais protegido externamente, com mortalidade infantil menor e mercado de trabalho atualmente forte, mas também muito mais caro em reais correntes, altamente financeirizado, com famílias mais endividadas, moeda muito mais fraca frente ao dólar que em 1999 e um histórico de corrupção sistêmica que atravessou diferentes partidos e governos. A cronologia não sustenta nem a tese de que “tudo começou com Lula”, nem a tese defensiva de que os escândalos ligados aos seus governos seriam mera invenção política. Os dados sustentam uma conclusão mais precisa: houve ganhos econômicos e sociais importantes sob Lula, houve deterioração severa na continuidade petista sob Dilma, houve corrupção de grande escala documentada no entorno institucional e partidário dos governos do PT, e o terceiro governo Lula apresenta hoje bons indicadores de atividade e emprego ao lado de inflação resistente, tributação em transformação, juros e endividamento muito elevados e custo de vida ainda pesado para a renda das famílias.

1 2 3 4 5 6 10 15 16 32 35 79 88 91 Ipeadata https://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?module=m&oper=view&serid=1410807112

7 90 PIB cresce 2,3% em 2025 e fecha o ano em R$ 12,7 trilhões https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/45968-pib-cresce-2-3- em-2025-e-fecha-o-ano-em-r-12-7-trilhoes?utm_source=chatgpt.com

8 19 43 Copom reduz a taxa Selic para 14,00% a.a. https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/21215/nota?utm_source=chatgpt.com

9 https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=464261&ori=1 https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=464261&ori=1

11 https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/17270-pnad-continua.html https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/17270-pnad-continua.html

12 https://dadosabertos.bcb.gov.br/dataset/29038-endividamento-das-familias-com-o-sistema- financeiro-nacional-exceto-credito-habitacional-em-r https://dadosabertos.bcb.gov.br/dataset/29038-endividamento-das-familias-com-o-sistema-financeiro-nacional-exceto- credito-habitacional-em-r

13 Glossário https://www.bcb.gov.br/acessoinformacao/glossario?utm_source=chatgpt.com

14 67 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos/carga-

tributaria/carga-tributaria-no-brasil-1999 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos/carga-tributaria/carga-tributaria-no- brasil-1999

17 78 GDP growth (annual %) - Brazil | Data https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.KD.ZG?locations=BR

18 80 Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor IPCA e INPC https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/236/inpc_ipca_2026_jul.pdf?utm_source=chatgpt.com

20 PIB cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026 | Agência de Notícias https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/46917-pib-cresce-1-1-no- primeiro-trimestre-de-2026?utm_source=chatgpt.com

21 36https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/ releases/47774-pnad-continua-trimestral-desocupacao-cai-em-13-das-27-ufs-no-2-trimestre-de-2026 https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/47774-pnad-continua- trimestral-desocupacao-cai-em-13-das-27-ufs-no-2-trimestre-de-2026

22 https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticassetorexterno https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticassetorexterno

23 24 38 39 https://www.bcb.gov.br/content/estatisticas/hist_estatisticasmonetariascredito/

202606_Texto_de_estatisticas_monetarias_e_de_credito.pdf https://www.bcb.gov.br/content/estatisticas/hist_estatisticasmonetariascredito/ 202606_Texto_de_estatisticas_monetarias_e_de_credito.pdf

25 https://www.gov.br/anp/pt-br/canais_atendimento/imprensa/noticias-comunicados/anp-divulga- dados-consolidados-da-producao-de-petroleo-e-gas-em-junho-de-2026 https://www.gov.br/anp/pt-br/canais_atendimento/imprensa/noticias-comunicados/anp-divulga-dados-consolidados-da- producao-de-petroleo-e-gas-em-junho-de-2026

26 https://petrobras.com.br/pre-sal https://petrobras.com.br/pre-sal

27 https://agencia.petrobras.com.br/w/negocio/petrobras-alcanca-segundo-maior-lucro-liquido-de- sua-historia-em-2023-r-124-6-bilhoes https://agencia.petrobras.com.br/w/negocio/petrobras-alcanca-segundo-maior-lucro-liquido-de-sua-historia-em-2023- r-124-6-bilhoes

28 https://sites.tcu.gov.br/recursos/contas-do-governo-2012/docs/DECLARACAO-VOTO-MIN- VC-2013-5-28.pdf https://sites.tcu.gov.br/recursos/contas-do-governo-2012/docs/DECLARACAO-VOTO-MIN-VC-2013-5-28.pdf

29 https://portal.tcu.gov.br/data/files/09/E5/4C/ 84/73D0E410504D80E42A2818A8/016.568-2013-3%20mobilidade%20urbana%20-%20copa%20- %20natal%20rn.pdf https://portal.tcu.gov.br/data/files/09/E5/4C/ 84/73D0E410504D80E42A2818A8/016.568-2013-3%20mobilidade%20urbana%20-%20copa%20-%20natal%20rn.pdf

30 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos/outros-estudos/ condicionantes-e-perspectivas-da-tributacao-no-brasil https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos/outros-estudos/condicionantes-e- perspectivas-da-tributacao-no-brasil

31 Ipeadata https://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=31924

33 https://www.dieese.org.br/cesta/ https://www.dieese.org.br/cesta/

34 https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html

37 https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasmonetariascredito https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasmonetariascredito

41 https://www.gov.br/fazenda/pt-br/central-de-conteudo/publicacoes/conjuntura-economica/

emprego-e-renda/defeso-eleitoral-2026/informativo-pnad-jun2026.html https://www.gov.br/fazenda/pt-br/central-de-conteudo/publicacoes/conjuntura-economica/emprego-e-renda/defeso- eleitoral-2026/informativo-pnad-jun2026.html

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45 84 https://brasilemsintese.ibge.gov.br/populacao/taxas-de-mortalidade-infantil.html https://brasilemsintese.ibge.gov.br/populacao/taxas-de-mortalidade-infantil.html

46 https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/41984- em-2023-expectativa-de-vida-chega-aos-76-4-anos-e-supera-patamar-pre-pandemia https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/41984-em-2023-expectativa-de- vida-chega-aos-76-4-anos-e-supera-patamar-pre-pandemia

47 https://repositorio.ipea.gov.br/bitstreams/b5253dae-bd91-42ad-ace1-0945ae5000c6/download https://repositorio.ipea.gov.br/bitstreams/b5253dae-bd91-42ad-ace1-0945ae5000c6/download

48 https://portaldatransparencia.gov.br/funcoes/10-saude https://portaldatransparencia.gov.br/funcoes/10-saude

49 https://repositorio.ipea.gov.br/bitstreams/6f280624-8511-420e-b800-66fc206021d0/download https://repositorio.ipea.gov.br/bitstreams/6f280624-8511-420e-b800-66fc206021d0/download

50 https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/ https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/

51 https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/balanco-2023-brasil-tem-menor-numero-de- assassinatos-dos-ultimos-14-anos https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/balanco-2023-brasil-tem-menor-numero-de-assassinatos-dos-ultimos-14- anos

52 https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/ocorrencias-criminais-sinesp https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/ocorrencias-criminais-sinesp

53 https://memorial.mpf.mp.br/nacional/vitrine-virtual/publicacoes/crimes-fiscais-delitos-economicos- e-financeiros https://memorial.mpf.mp.br/nacional/vitrine-virtual/publicacoes/crimes-fiscais-delitos-economicos-e-financeiros

54 https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-inicia-julgamento-de-embargos-infringentes-na-acao- penal-470/ https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-inicia-julgamento-de-embargos-infringentes-na-acao-penal-470/

55 82 89 https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/AP470continuidadeMMA.pdf https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/AP470continuidadeMMA.pdf

56 https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmDownloadDocumento.aspx?

CodigoInstituicao=1&Tela=ext&descTipo=IPE&numProtocolo=466101 https://www.rad.cvm.gov.br/ENET/frmDownloadDocumento.aspx? CodigoInstituicao=1&Tela=ext&descTipo=IPE&numProtocolo=466101

57 https://combateacorrupcao.mpf.mp.br/mais_noticias_dezMedidas https://combateacorrupcao.mpf.mp.br/mais_noticias_dezMedidas

58 https://combateacorrupcao.mpf.mp.br/feeder_novo/lava-jato/ b77be3bd7946a707b3da44745c4e7ba1 https://combateacorrupcao.mpf.mp.br/feeder_novo/lava-jato/b77be3bd7946a707b3da44745c4e7ba1

59 https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/integridade-privada/suborno-transnacional/casos-de-

suborno/odebrecht-novonor https://www.gov.br/cgu/pt-br/assuntos/integridade-privada/suborno-transnacional/casos-de-suborno/odebrecht-novonor

60 https://combateacorrupcao.mpf.mp.br/feeder_novo/lava-jato/acd3bdc860050df595ecae219b5885e4 https://combateacorrupcao.mpf.mp.br/feeder_novo/lava-jato/acd3bdc860050df595ecae219b5885e4

61 83 https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=461870&ori=1 https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=461870&ori=1

62 https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=462854&ori=1 https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=462854&ori=1

63 https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/2a-turma-acolhe-embargos-e-afasta-condenacao-de-geddel- vieira-lima-por-associacao-criminosa/ https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/2a-turma-acolhe-embargos-e-afasta-condenacao-de-geddel-vieira-lima-por- associacao-criminosa/

64 https://trf1.jus.br/sjgo/publicacoes-de-interesse-publico/pf-indicia-bolsonaro-e-outros-11-no-caso- das-joias https://trf1.jus.br/sjgo/publicacoes-de-interesse-publico/pf-indicia-bolsonaro-e-outros-11-no-caso-das-joias

65 https://dezmedidas.mpf.mp.br/campanha/produtos/pdf/10_MEDIDAS_ONLINE.pdf https://dezmedidas.mpf.mp.br/campanha/produtos/pdf/10_MEDIDAS_ONLINE.pdf

68 70https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos/carga- tributaria/carga-tributaria-no-brasil-2024 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos/carga-tributaria/carga-tributaria-no- brasil-2024

69 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos/carga-tributaria/ carga-tributaria-no-brasil-2001 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/estudos/carga-tributaria/carga-tributaria-no- brasil-2001

71 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas-e- atividades/reforma-tributaria-do-consumo/entenda https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas-e-atividades/reforma- tributaria-do-consumo/entenda

72 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/agosto/receita-federal-orienta- sobre-os-procedimentos-para-o-recolhimento-do-imposto-de-renda-retido-na-fonte-sobre-lucros-e- dividendos https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/noticias/2026/agosto/receita-federal-orienta-sobre-os-procedimentos- para-o-recolhimento-do-imposto-de-renda-retido-na-fonte-sobre-lucros-e-dividendos

73 https://www.camara.leg.br/internet/sitaqweb/TextoHTML.asp?

Data=17%2F08%2F2004&dtHoraQuarto=16%3A45&dtHorarioQuarto=16%3A45&etapa=5&nuInsercao=0&nuOrador=1&nuQ AC&txEtapa=&txFaseSessao=GrandeExpediente&txTipoSessao=Ordin%C3%A1ria-CD https://www.camara.leg.br/internet/sitaqweb/TextoHTML.asp? Data=17%2F08%2F2004&dtHoraQuarto=16%3A45&dtHorarioQuarto=16%3A45&etapa=5&nuInsercao=0&nuOrador=1&nuQuarto=56&nuSessao=16 AC&txEtapa=&txFaseSessao=GrandeExpediente&txTipoSessao=Ordin%C3%A1ria-CD

74 87 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm

75 https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/09/14/pacheco-devolve-mp-que-dificultava- retirada-de-conteudo-da-internet https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/09/14/pacheco-devolve-mp-que-dificultava-retirada-de-conteudo-da- internet

76 https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2256735 https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2256735

77 https://portal.stf.jus.br/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp? classeProcesso=RE&incidente=5160549&numeroProcesso=1037396&numeroTema=987 https://portal.stf.jus.br/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp? classeProcesso=RE&incidente=5160549&numeroProcesso=1037396&numeroTema=987

Texto integral do estudo, transcrito para leitura no site. Ver também a cronologia auditada e os gráficos de indicadores.