Acervo documental · parte da auditoria de autoria
Promessas de Lula
Compromissos públicos assumidos nas campanhas de 2002 e 2022, com contexto, ano, categoria e fonte. A lista inclui também promessas contestadas.
Critério de aferição: promessa cumprida em parte não é promessa cumprida — o parcial entra na contagem de não cumpridas, com o detalhamento do que foi entregue.
1º mandato
2003–2006 · campanha 2002
18/37 cumpridas
49% de cumprimento integral
2º mandato
2007–2010 · campanha 2006
15/23 cumpridas
65% de cumprimento integral
3º mandato
2023–2026 · campanha 2022
48/141 cumpridas
34% de cumprimento integral
Dobrar o valor real do salário mínimo em quatro anos
Durante a campanha presidencial de 2002, Lula assumiu o compromisso de elevar em 100% o valor real do salário mínimo ao longo do mandato.
Aferição: No primeiro mandato (2003–2006) o salário mínimo teve ganho real de cerca de 25%; a duplicação do valor real só se completou ao longo dos dois mandatos, até 2010.
Se ao final do meu mandato, cada brasileiro puder se alimentar três vezes ao dia, terei realizado a missão de minha vida
Uma das principais promessas sociais de sua primeira eleição, posteriormente materializada politicamente no Fome Zero.
Aferição: O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014, mas voltou em 2018 e chegou a 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave em 2022 — meta não sustentada.
Não queremos reeleição. Só queremos quatro anos
Em campanha, Lula afirmou que não pretendia disputar a reeleição e que queria quatro anos para construir os “alicerces” do país. Em 2006, acabou concorrendo e sendo reeleito.
Aferição: Lula disputou e venceu a reeleição em 2006 e voltou a se candidatar em 2018, 2022 e sinalizou 2026.
Gerar empregos será minha obsessão
Lula prometeu mobilizar bancos públicos, construção civil e investimentos para ampliar o emprego.
Aferição: Entre 2003 e 2010 o país criou mais de 14 milhões de vagas com carteira assinada, segundo os registros do então Caged/RAIS.
Criar 10 milhões de empregos
Essa costuma aparecer como promessa de Lula em 2002 e foi cobrada pela oposição. Lula posteriormente afirmou que o PT havia dito que o Brasil necessitava criar 10 milhões de empregos, e não que seu governo prometera formalmente criá-los. Registrada como promessa contestada.
2002ContestadaCumpriucontestadaRegistro do acervo — promessa contestadaAferição: Ainda que Lula conteste tê-la assumido formalmente, o saldo de empregos formais de 2003 a 2010 superou 10 milhões de vagas.
Gerar 10 milhões de empregos
A retrospectiva eleitoral da Folha registra a geração de dez milhões de empregos entre as principais promessas da campanha de Lula em 2002. Complementa o item registrado no acervo como promessa contestada, já que Lula depois afirmou que o número era um diagnóstico do país, não um compromisso formal.
Aferição: O saldo de empregos formais entre 2003 e 2010 superou 10 milhões de vagas, segundo os registros do Caged/RAIS do período.
Implementar o Programa Fome Zero
A criação do programa foi registrada entre as principais promessas sociais da campanha que levou Lula pela primeira vez à Presidência.
Aferição: O Fome Zero foi lançado em 2003; sua execução foi reorganizada no ano seguinte com a unificação dos benefícios no Bolsa Família.
Implantar o Programa Primeiro Emprego
O programa voltado à inserção profissional de jovens também aparece no levantamento histórico das principais promessas daquela campanha.
Aferição: O Primeiro Emprego foi criado pela Lei 10.748/2003, mas alcançou uma fração da meta de vagas e foi descontinuado em 2007.
Reduzir o déficit habitacional brasileiro
Na Carta ao Povo Brasileiro, Lula colocou explicitamente a redução do déficit habitacional entre as transformações estruturais que seu governo buscaria.
Aferição: O Minha Casa Minha Vida (2009) e o crédito habitacional ampliaram a oferta, mas o déficit habitacional seguiu na casa dos milhões de moradias.
Reduzir as carências energéticas do país
A Carta ao Povo Brasileiro também assumiu esse compromisso ao lado das reformas tributária, agrária, previdenciária e trabalhista.
Aferição: Não houve novo racionamento: o novo modelo do setor elétrico, os leilões de energia e o Luz para Todos ampliaram oferta e universalizaram o acesso em áreas rurais.
Respeitar contratos e obrigações assumidas pelo Brasil
Em plena turbulência financeira eleitoral, Lula prometeu que a transição econômica respeitaria contratos e compromissos do país.
Aferição: O governo manteve superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante, honrou contratos e quitou antecipadamente a dívida com o FMI em 2005.
Ampliar e fortalecer o Mercosul
Após vencer a eleição, Lula prometeu aprofundar a integração econômica e comercial regional e resgatar o Mercosul como instrumento estratégico.
Aferição: O bloco ganhou o Parlasul e o Focem e a Venezuela foi admitida, mas as uniões aduaneira e tarifária permaneceram incompletas.
Negociar de forma soberana a proposta da ALCA
Lula prometeu uma negociação internacional que preservasse os interesses brasileiros diante da Área de Livre Comércio das Américas.
Aferição: O Brasil liderou a resistência à ALCA nos termos propostos pelos EUA, e as negociações foram encerradas sem acordo em 2005, em Mar del Plata.
Ser um “guardião da Amazônia e da sua biodiversidade”
Lula prometeu colocar responsabilidade ambiental no centro do programa de desenvolvimento para a região amazônica.
Aferição: O PPCDAm derrubou o desmatamento de 27,7 mil km² (2004) para 7 mil km² (2010), mas grandes obras como Belo Monte e a expansão da fronteira agrícola seguiram na contramão.
Combater o narcotráfico e o crime organizado por meio de integração internacional
Lula vinculou a integração latino-americana à cooperação para enfrentar o narcotráfico e organizações criminosas.
Aferição: Acordos de cooperação policial e de fronteira avançaram, mas o período viu a expansão nacional e transnacional de facções como PCC e Comando Vermelho.
Reforma tributária ampla, simplificando impostos e desonerando a produção
Constava do capítulo de reformas do programa "Um Brasil para Todos", com promessa de reduzir a complexidade do sistema e a carga sobre o setor produtivo.
Aferição: A proposta foi enviada ao Congresso em 2003 e aprovada de forma diluída; a simplificação efetiva só avançou em 2023, já no terceiro mandato.
Reforma da Previdência para equilibrar o sistema com justiça social
O programa defendia mudanças no regime previdenciário, sobretudo do funcionalismo público, com regras de transição.
Aferição: A reforma da Previdência do funcionalismo foi aprovada em 2003, com taxação de inativos e novas regras de aposentadoria, apesar da resistência da própria base.
Manutenção do superávit primário e das metas fiscais acordadas
Compromisso assumido na Carta ao Povo Brasileiro para conter o temor do mercado quanto a uma ruptura na política econômica.
Aferição: O governo manteve e ampliou as metas de superávit primário nos primeiros anos, seguindo o acordo com o FMI herdado do governo anterior.
Respeitar contratos e obrigações do país, inclusive a dívida pública
Na Carta ao Povo Brasileiro, Lula afirmou que honraria os contratos vigentes, afastando a hipótese de moratória.
Aferição: Não houve moratória nem calote; o país quitou antecipadamente a dívida com o FMI em 2005.
Relação soberana com o FMI e organismos multilaterais
O programa prometia negociações mais equilibradas com credores internacionais, sem rompimento de acordos.
Aferição: Em dezembro de 2005 o Brasil quitou integralmente a dívida com o FMI, marco simbólico de autonomia na relação com o fundo.
Ampliar crédito e apoio à agricultura familiar
O caderno sobre o campo propunha expandir linhas de financiamento como o Pronaf para pequenos produtores.
Aferição: O Pronaf teve expansão orçamentária expressiva nos governos Lula, com crescimento contínuo de recursos e contratos para a agricultura familiar.
Política de desenvolvimento regional para reduzir a desigualdade entre regiões
O programa previa recriar instrumentos de planejamento regional, como fundos e agências de desenvolvimento.
Aferição: PAC e transposição do São Francisco levaram investimento ao Nordeste, mas a desigualdade regional de renda e produtividade permaneceu estrutural.
Recuperar a capacidade de investimento do Estado em infraestrutura
O documento criticava o baixo investimento público dos anos 1990 e prometia retomar obras estruturantes.
Aferição: O investimento público só ganhou fôlego a partir de 2007, com o PAC; o primeiro mandato foi marcado por contingenciamento e ajuste fiscal.
Ampliar o acesso ao ensino superior público e gratuito
O programa defendia expansão de vagas nas universidades federais e democratização do acesso.
Aferição: O Reuni (2007) e a criação de novas universidades e campi federais ampliaram significativamente as vagas públicas ao longo dos dois mandatos.